Coronavírus: O dia em revista

PorSara Almeida,24 abr 2020 19:35

Cabo Verde começa a pensar no pós-estado de emergência, mas nada vai voltar ao normal. O estado excepcional que o país e o mundo vivem não permite uma efectiva saída de um estado de excepção. No dia em que Santiago registou a confirmação de seis casos positivos de COVID-19, com São Domingos a entrar na lista de concelhos afectados, o Primeiro Ministro anunciou ao país, as medidas a serem tomadas a partir do fim da Emergência.

Foram, então, hoje anunciadas, pelo chefe do executivo, as regras para os próximos tempos, já no  cenário pós-estado de emergência. São medidas que permitem abrir um pouco a “porta” do confinamento, mas que ainda muito longe de qualquer normalidade conhecida até há menos de 40 dias.

Assim, num discurso que começa com a insistência no cumprimento do (ainda) obrigatório confinamento – “Não teríamos que estar a repetir se todos estivessem a cumprir” – o primeiro-ministro enumera o que mudará com o fim do estado de emergência, que ocorre a 26 de Abril em todas as ilhas, excepto Santiago, Boa Vista e São Vicente (nestas três, com casos confirmados, só a 2 de Maio).

Enunciou, para começar, o fim do confinamento obrigatório. Contudo, deve manter-se o cuidado no contacto com outras pessoas (etiqueta no tossir, distância física, etc, estarão aqui incluídas, embora não explicitamente ditas no discurso).

Está também prevista a reabertura de serviços, empresas e afins, públicos e privados. Medidas de protecção para trabalhadores e utentes devem, porém, ser contempladas, e o tele-trabalho deve continuar a ser uma opção a ponderar, dentro do possível.

As restantes restrições mantêm-se e serão levantadas, progressivamente, consoante a evolução da situação epidemiológica.

A circulação de passageiros entre as ilhas, seja por mar ou por ar, mantém-se interdita. Dito de outro modo, “As restrições de transportes aéreos e marítimos de passageiros inter-ilhas” continuarão.

Quanto a “viagens” internacionais: O levantamento das restrições nos transportes aéreos e marítimos internacionais de passageiros dependerá do contexto interno de Cabo Verde e do contexto internacional em termos epidemiológico e económico. (pois... a economia, que vai sofrer uma contracção de 5,5%...)

Saudades de concertos, festas, concertinas, xintadas, etc? Ainda não é para já. Todos os eventos e afins que provoquem ajuntamento de pessoas continuam a ser proibidos.

Visitas a lares, hospitais e prisões, continuam também, para já, suspensas.

Outras medidas anunciadas

Uma vez que o coronavírus não vai desaparecer com o fim do estado de emergência, e o perigo mantém-se, há outras medidas que serão tomadas no sentido de evitar os contágios. Destacam-se três: “o uso de máscaras faciais, a organização e a higienização dos espaços de atendimento ao público e a realização de testes rápidos”.

Máscaras

O uso obrigatório de máscaras em espaços fechados de atendimento ao público, quer por parte dos trabalhadores, quer por parte dos utentes e clientes. O uso de máscaras é também recomendado a todos os cidadãos, de uma forma geral, em locais de aglomeração, e em particular a todos os grupos vulneráveis ao vírus, sempre que saiam de casa.

As empresas nacionais serão certificadas para produzir máscaras sociais ou comunitárias com incentivos fiscais que tornem os preços acessíveis aos cidadãos. Para quem não pode comprar essas máscaras, serão postas em marcha medidas de acção social destinadas às pessoas inscritas no Cadastro Social Único.

Incentivos fiscais também para a produção nacional e comercialização de gel desinfectante. E serão implementadas medidas para melhorar a higienização de transportes e espaços públicos.

A realização de testes rápidos vai ser alargada. Cerca de 50.000 testes estarão disponíveis nas próximas semanas, prometeu o PM.

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A declaração foi, provavelmente, o tema mais importante do dia, mas há outros:

Cabo Verde contabiliza já 88 casos de COVID-19, em faixas etárias que vão dos 10 aos 90 anos. Hoje, foram registados seis novos casos, todos em Santiago, sendo cinco na Praia (um deles importado de Portugal) e um em São Domingos. Com este último, são já três os concelhos de Santiago afectados pelo novo coronavírus, cinco no país.

Da conferência diária de balanço da COVID-19, na qual marcaram hoje presença o Ministro da Saúde e Ministro da Administração Interna (em vídeo conferência, a partir da Boa Vista), destaque para a intervenção deste último, respondendo aos entraves a um cordão sanitário para isolar a cidade da Praia. "Do ponto de vista operacional" esse cerco é algo "extremamente complexo", pela multiplicidade de vias de conexão. E há também, como referiu, ligações muito fortes em termos humanos e comerciais entre a capital e o resto da ilha. Um cerco deixaria, assim, a cidade sem uma boa parte do seu fluxo de alimentos, e o interior, uma boa parte do seu fluxo de rendimento. Entretanto, três pacientes dos 88 diagnosticados no país, tem mais de 70 anos, enquadrando-se no chamado grupo de risco. O ministro da Saúde avança que até agora nenhum dos três indivíduos, todos em Santiago, apresenta sintomas de relevo. 

Depois de publicadas no Boletim Oficial, do passado dia 20, as regras da iniciativa “Regresso a casa”, destinadas aos cidadãos que ficaram retidos em ilhas onde não residem, o governo decidiu avançar com emendas. Assim, além de maior rigor para as “saídas”, o programa “não se aplica para pessoas provenientes de ilhas com casos positivos de COVID-19 assinalados” no caso de o regresso ser para “ilhas sem casos positivos”.

COVID-19 no mundo

Tal como em Cabo Verde, em todo o mundo, tenta-se também voltar não à normalidade, mas à normalidade possível. Para o regresso ao trabalho, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho delineou uma série de recomendações. Entre essas está “prestar serviços à distância, em vez de o fazer pessoalmente e assegurar que apenas os colaboradores essenciais ao trabalho estejam presentes no local”, conforme cita o Público. Está também a ida à vez à casa de banho e o uso de divisórias entre os trabalhadores nos escritórios, entre outras. (Público).

Sob a égide da Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo djunta mon para acelerar a produção de vacinas. A organização apresentou hoje uma coligação de países (Estados Unidos ficaram de fora), organizações e empresas que estão empenhadas em assegurar vacinas, testes de diagnóstico para a COVID-19 acessíveis rapidamente e em todo o mundo. No dia 4 de Maio acontece a primeira reunião de angariação de fundos. No documento de lançamento da iniciativa, frisa-se que "enquanto houver alguém em risco por causa do vírus, o mundo inteiro está em risco" e que "toda e qualquer pessoa no planeta precisa de ser protegida desta doença". (SIC Notícias)

No Reino Unido, já começaram os ensaios clínicos europeus, em humanos, de uma vacina contra o coronavírus. A decorrer em Oxford, foram ontem já “injectados” dois voluntários de entre mais de 800 pessoas recrutadas para o estudo. Metade, como relata a BBC, receberá a vacina COVID-19, e a outra metade uma vacina de controlo que protege contra a meningite mas não contra o coronavírus. (BBC)

Números

Pela primeira vez, o número de recuperados ultrapassou o de contágios na Itália. E é um recorde: 3.033 recuperados em um só dia.

Nos Estados unidos já morreram mais de 50 mil pessoas.

Ao fim da tarde desta quinta-feira, contabilizavam-se 2.801.649 casos de infecção em todo o mundo (2.695.418, ontem), 775.988 dos quais recuperados (739.871, ontem). O número de mortes é de 195.438 (188.804, ontem).

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/ às 18h05 de dia 24/04)

Sugestão do dia

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Hoje sugerimos uma viagem sem sair de casa. A National Geographic permite uma visita virtual imersiva com imagens a 360º e som ambiente à maior gruta do mundo: Son Doong, no parque nacional de Phong Nha-Ke Bang, Vietname. Visite aqui.

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Autoria:Sara Almeida,24 abr 2020 19:35

Editado porAndre Amaral  em  31 mai 2020 6:19

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