Coronavírus: O dia em revista

PorSara Almeida,8 mai 2020 19:15

Com mais 12 novos casos de COVID-19 registados hoje na Praia, a evolução das pessoas em internamento tem sido, de certa forma, equilibrada pelo aumento do número de recuperados. Assim, no dia em que Cabo Verde vê o total cumulativo de infectados subir para 230, vê também aumentar o número de recuperados de 38 para 56.

Até às 15h00 desta sexta-feira, Cabo Verde registava então: 230 casos de infecção, dos quais resultaram dois óbitos. Dois pacientes foram evacuados. 56 estão dados como recuperados. Contas feitas teríamos 170 casos activos, mas conforme revelou o director nacional de saúde, na conferência diária, temos 178 pessoas em internamento...

Há dois dias eram 149, num momento em que o total cumulativo era de 191 casos. 39 casos novos depois, e 18 novas baixas, o número continua a dar 170 casos que deveriam estar em internamento.

Números, números. A sua importância é inegável, mas para além da divulgação estatística diária há informação que é tão ou mais importante. E uma questão abordada hoje é que, apesar dos casos internados estarem "bem" e não manifestarem quadros clínicos graves, já vários tiveram episódios em que foi necessário recorrer a assistência especializada, e oxigenoterapia. A evolução foi boa, mas esses episódios, até agora não tinham sido publicamente revelados. 

Entretanto, 75% dos casos de COVID-19 continuam a serem diagnosticados a partir da investigação epidemiológica e apenas 25% a partir de casos suspeitos, revelou Artur Correia, a maioria dos testes feitos resultam negativos. 

Sobre eventuais falhas de protocolo e na distribuição de EPI aos profissionais da Trindade (onde ontem se registaram 27 casos), após confirmação do caso de um psicólogo positivo para o coronavírus, o director nacional da Saúde remete esclarecimentos para a direcção do Hospital Agostinho Neto e adianta que vai ser aberto um inquérito. Para ler mais do que foi referido no briefing diário clique aqui

A retoma dos transportes inter-ilhas de passageiros vai arrancar segunda-feira, 11 de Maio, entre a ilhas sem casos activos de COVID-19, que já não estão sob estado de emergência (todas, excepto Santiago e Boa Vista). O anúncio foi feito em declaração ao país, pelo Primeiro-Ministro, hoje de manhã, na Praia, e as regras para a “nova normalidade” foram pouco depois, reveladas em conferência de imprensa pelo Ministro da Economia Marítima no Mindelo. O regresso é então feito sob várias medidas de protecção sanitária, que vão do uso de máscaras, ao controlo sanitário nos portos, passando pela diminuição da lotação. Leia mais aqui

Quanto à retoma de voos internacionais, disse Ulisses Correia e Silva que a decisão será tomada "após as directivas da ICAO e da IATA, previstas para este mês de Maio".

No regresso à “nova normalidade”, foi hoje também revelado pelo Ministério da Educação que as universidades e pólos que funcionem nas ilhas que já saíram há mais tempo do estado de emergência podem retomar as aulas presenciais a 11 de Maio, também. Para São Vicente a previsão da abertura é no dia 18 de Maio, enquanto Santiago e Boa Vista está prevista a possibilidade de retomar as aulas presenciais mas só depois de 18 de Maio. Mais pormenores das directivas da Educação, aqui

Foram também já publicadas as regras para evitar a especulação de preços do álcool-gel e das máscaras. A margem de lucro na venda de álcool gel e máscaras em Cabo Verde passou a estar limitada a 15% na comercialização grossista e 20% no retalho, conforme determinação governamental que prevê multas até 500 contos para os infractores. Esses produtos vão também ser isentos de IVA, colocando-se, agora, ao nível dos bens básicos.

Para apoio à economia, foi hoje divulgado o protocolo entre o Ministério das Finanças e os sete bancos comerciais que operam no mercado nacional. Em causa Linhas de crédito no valor de três milhões e trezentos mil contos que se destinam ao reforço de tesouraria das empresas cabo-verdianas e contam "todas elas com garantias pessoais do Estado".  

Hoje é também Dia da Mundial da Segurança Social. A Inforpress entrevistou a Presidente do Conselho Directivo da Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) que adiantou a previsão sobre as receitas de 2020: uma queda na ordem dos 30 a 40%, em resultado da redução na arrecadação das contribuições devido à pandemia da COVID-19. Em meio desta crise, o INPS foi também chamado a contribuir para metade do salário minguado a 70%, dos trabalhadores em lay-off e revelou que cerca de 30% (de um total de 16 mil) dos pedidos de pagamento se encontram pendentes devido ao “incumprimento das entidades empregadoras”. Em curso estão negociações com as entidades empregadoras para regularização da situação. Desse total de 16 mil trabalhadores, apenas 4.500 já receberam os 35% dos salários pagos pelo INPS, estando “uma grande parte” em processamento.

No desporto, ficou unanimemente decidido em reunião da tutela  com as federações desportivas nacionais o cancelamento de todas as competições.

COVID-19 no Mundo

Muito se tem falado da crise económica que se está a desenhar no seio desta pandemia. Várias entidades como a OCDE comparam-na à grande depressão dos anos 30 (e que começou em 1929...) Mas as projecções para o Reino Unido são ainda piores. Não será a pior crise em 90 anos, mas sim em 300. A previsão foi divulgada ontem, pelo Banco de Inglaterra, que anunciou que a economia britânica poderá encolher 14% este ano. “Essa seria a maior contracção anual desde um declínio de 15% em 1706, com base na melhor estimativa dos dados históricos do próprio banco”. (CNN)

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O NYT já tinha escrito sobre a forma desproporcional como os afro-americanos estão a sofrer com o novo coronavírus. Em alguns estados chegam a representar 70% das mortes e em quase todos a taxa de infecção é superior à restante população. Mas essa desproporção não acontece só nos Estados Unidos. De acordo com o jornal nova-iorquino, também no Reino Unido o coronavírus está a matar “duas vezes mais negros britânicos do que brancos. Essa diferença aumenta para quatro vezes quando as diferenças de classe e de saúde não são consideradas. Os sul-asiáticos também têm vindo a morrer de forma desproporcionada.” (NYT) O vírus, afinal, não é tão democrático quando se chegou a dizer, e vem definitivamente pôr a nu as desigualdades sociais, nomeadamente das “minorias”.

A pandemia tem também, inevitavelmente, impacto no tráfico de drogas. Segundo um relatório publicado pelo Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC, na sigla em inglês), sediado em Viena, “algumas cadeias de suprimentos de drogas foram interrompidas e os traficantes estão a procurar rotas alternativas, incluindo marítimas, dependendo dos tipos de estupefacientes contrabandeados”. A “tendência” é diferente para os diferentes tipos de droga:

Sintéticas: drogas sintéticas, como a metanfetamina, tendem a ser traficadas pelos continentes pelo ar mais do que outros tipos de drogas” e, “portanto, é provável que as restrições às viagens aéreas tenham um efeito particularmente drástico nessa carga ilegal”.

Cocaína: a cocaína é traficada por mar e grandes cargas continuam a ser detectadas nos portos europeus durante a pandemia.

Heroína: costuma ser mais traficada por terra, “porém, devido à pandemia, as rotas marítimas parecem ser cada vez mais usadas no tráfico” deste opiáceo, “como mostram as apreensões no Oceano Índico”.

Canábis: “a sua produção ocorre frequentemente perto dos mercados consumidores e os traficantes ficam menos dependentes de remessas longas e transregionais de grandes quantidades da droga”. Não deverá ser afectado como os outros.

Entre outras constatações, a UNODC avisa que o risco de overdose “pode aumentar” entre os consumidores de drogas injetáveis e que estão infetados com COVID-19. (LUSA) 

Números mundiais

Ao fim da tarde desta sexta-feira registavam-se 3,981,296 casos de infecção (3,887,969 casos ontem) dos quais 1,372,291 recuperados (1,331,249 ontem). Já 274,407 pessoas morreram devido ao novo coronavírus (269,002 ontem).

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/às 17h43 de dia 08/05)

Sugestão do dia

Também via NYT, chega informação útil com uma notícia promissora em matéria de imunidade. Conforme conta o jornal, um novo estudo com 1.343 pessoas na área de Nova Iorque descobriu que quase todas as pessoas que tiveram o coronavírus - mesmo as que experimentaram apenas sintomas ligeiros - produzem anticorpos a níveis que podem conferir protecção futura contra a doença.

A quantidade de anticorpos (e eficiência destes) tem sido fonte de preocupação, mas o novo estudo sugere que é uma questão de quando o teste é administrado: Pessoas com parcos resultados nos primeiros dias após a recuperação desenvolveram frequentemente quantidades saudáveis de anticorpos mais tarde. Os investigadores recomendaram que se esperasse três semanas após o início dos sintomas.

Contudo, refere também o jornal, os cientistas ainda não sabem ao certo se os anticorpos conferem imunidade. Se o fizerem, o novo estudo sugere que quase todas as pessoas que se recuperam da COVID-19 terão imunidade.

A reportagem pode ser lida aqui. E este é o vídeo que a integra e que mostra como funcionam os testes de anticorpos coronavírus, na Stanford Health Care:

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Autoria:Sara Almeida,8 mai 2020 19:15

Editado porSara Almeida  em  4 jun 2020 18:19

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