Coronavírus: O dia em revista

PorSara Almeida,15 mai 2020 18:48

Santiago entra no seu quarto período do estado de emergência e revemos aqui as novas e velhas regras. Neste primeiro dia da quarta fase de excepção, foram registados novos casos em três concelhos de Santiago: Praia, São Domingos e Santa Cruz (onde ainda não havia registo de infecções pelo novo coronavírus)

Ao todo, foram registados 11 novos casos de COVID-19 em Cabo Verde, sendo oito da Praia, dois de São Domingos e um de Santa Cruz, segundo os dados do Ministério da Saúde e da Segurança Social.

O caso de Santa Cruz, o sexto concelho a registar infecções causadoras de COVID-19 - o que eleva para cinco o número de municípios com casos activos –embora ainda não se saiba qual a origem da infecção -  parece mostrar que o vírus se está a espalhar na ilha... Ilha essa que entra hoje em mais quinze dias de estado de emergência. E são já conhecidas as regras para este quarto período do EE em Santiago, ontem  aprovado por unanimidade na Assembleia Nacional.

Assim, mantém-se várias regras das anteriores períodos mas há também algumas mudanças que permitem maior “dinâmica” em casos laborais (a retoma tímida da economia) mas mais intransigência quanto a "outros" motivos:

- o dever geral de recolhimento domiciliário para a população que não está enquadrada nas “pessoas com especial dever de protecção” (idosos, imunodepressivos, etc), mantém-se mas é atenuado pela retoma de vários sectores de atividade económica.

- Aqueles passeiozinhos a 200 metros de casa... já nada disso é referido na regulamentação. Apenas é referido que as pessoas com especial dever de protecção possam dar pequenos passeios para passear o cão e/ou fazer exercício físico. Nada sobre as que “apenas” estão sob dever de recolhimento domiciliário.

- Mantem-se a interdição de quaisquer deslocações em grupos superiores a duas pessoas . ( esta regra já existia e tem sido sistematicamente violada...) Crianças não contam.

- A partir das 21h30 a circulação na via pública é proibida, excepto por motivos muito, muito excepcionais. Sim, Santiago sob recolher obrigatório das nove e meia da noite, até... o diploma não diz. Provavelmente até ao nascer do sol (na Praia, o nascer do Sol por estes dias é às 6:05, mais coisa menos coisa. Para maior precisão, ver aqui).

- Continuam encerradas as instalações e proibidas as atividades culturais, recreativas, desportivas, de lazer e diversão.

- Continuam encerrados cabeleireiros, centros comerciais, ginásios, discotecas, cafés e restaurantes (excepto para take away).

- As outras empresas, sejam públicas ou privadas, passam a poder funcionar, embora priorizando mecanismos alternativos de teletrabalho ou similares, sempre que possível.

- Mantem-se horários para entregas ao domicílio (8h-21h30) e de encerramento de supermercados, padaria, etc (20h). Como já estava previsto há alguns dias, para “efeitos de atendimento ao público para a prestação de serviços essenciais ou prioritários os bancos comerciais e similares, seguradoras, previdência social e correios, deverão garantir o atendimento até às 15 horas, de forma ininterrupta”.

- Atendimento prioritario, nos serviços e lojas, para idosos, forças de segurança, profissionai de saúde, pessoal dos serviços de apoio social.

- Cerimónias religiosas permitidas em seis concelhos de Santiago - excepção para Santiago Sul: Praia, Ribeira Grande de Santiago e São Domingos (e Santa Cruz, como ficará agora? E Tarrafal ...) 

- ...

O estado de emergência termina às 24h00 de dia 29 de Maio.

Boa Vista saiu hoje do estado de emergência mas mantêm-se a interdição ao transporte marítimo e aéreo de passageiros com origem e destino de/para esta ilha.

Em São Vicente, a Câmara pondera o alargamento do horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais, nomeadamente restaurantes, até às 23 horas. Em causa o “relançamento” da economia local, hoje tema de conferência de imprensa pela edilidade, na sequência das declarações do presidente da Comissão Política Regional do PAICV, Alcides Graça, que esta semana pediu “uma aposta na pequena economia para a retoma da economia são-vicentina”.

A economia cabo-verdiana, como se sabe, está mal e vai piorar. No turismo, de onde vem ¼ do PIB do país, o cenário é preocupante. O governo estima perder 500 mil turistas (em 2019 o país teve 819 mil visitantes...) e medidas têm de ser tomadas para que o impacto não seja ainda pior... Assim, uma delas estipular que hotéis e restaurantes de Cabo Verde passem por processos de certificação das normas de prevenção da propagação da COVID-19, para competir pelos turistas que querem viajar “em segurança”.

director clínico do HAN manifestou-se, esta manhã, preocupado com a divulgação nas redes sociais de notícias falsas sobre a situação dos doentes internados, apelando à não disseminação de informações sobre o estado de saúde dos doentes com relatos até de falecimento. Ontem surgiu o rumor de que o doente que teve de receber ventilação artificial tinha morrido, o que não corresponde à verdade.

Hoje celebrou-se o Dia internacional da Família. Em mensagem alusiva à data, o Presidente da República sublinhou o papel das famílias em tempos de pandemia, defendendo que, mais do que nunca, é imperativo garantir a sua funcionalidade, a interajuda e cooperação.

COVID-19 no Mundo

A globalização morreu? É a pergunta que faz, e tenta responder, a The Economist. O tema faz a capa do seu mais recente número, onde a revista relembra que mesmo antes da pandemia de COVID-19 já o o sistema de comércio livre estava posto em causa pela crise financeira de 2008 e pela guerra comercial entre China e Estados Unidos.

O artigo, em concreto, começa por dizer que “O fluxo de pessoas, comércio e capital será abrandado...” e termina com ” Digam adeus à maior era da globalização e preocupem-se com o que vai tomar o seu lugar...”

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Na Rússia, o número de profissionais de saúde infectados não para de aumentar. Pelo menos 180 médicos morreram até agora, e milhares de outros adoeceram. Numa instalação em Moscovo, três em cada quatro funcionários de um departamento ficaram doentes. Três médicos que se queixaram das condições hospitalares morreram ao cair das janelas nas últimas semanas; crê-se que tenham sido possíveis suicídios relacionados com o stress , não homicídios. O NYT conta que a elevada taxa de mortalidade entre os trabalhadores da área médica resulta de uma terrível escassez de equipamento de protecção e de um "sistema burocrático muito rígido " no país, que emite informações contraditórias e não permite que os líderes locais tomem a iniciativa de responder à crise em rápida mutação. A Rússia anunciou um total de 252 245 infecções confirmadas por coronavírus, mais do que qualquer outro país, excepto os Estados Unidos. Mesmo assim, o Presidente Vladimir Putin levantou na segunda-feira um bloqueio nacional, dizendo que os hospitais do país estavam preparados e que os médicos tinham tudo o que precisavam. A ler no NYT

No Brasil, o presidente, Jair Bolsonaro assinou medida provisória que isenta os funcionários públicos da responsabilidade nas esferas "civil e administrativa" por actos praticados durante a crise do novo coronavírus. Assim, os agentes públicos só poderão ser responsabilizados se cometerem “fraudes” ou um “erro grave” em actos relacionados com medidas de resposta à emergência sanitária e ao combate dos impactos económicos e sociais provocados pela pandemia de COVID-19. (Observador)

E ainda Brasil... Ainda mal deu para decorar o nome do “novo” ministro da Saúde, empossado há menos de um mês (é Nelson Teich) e já este se demitiu por incompatibilidades com Bolsonaro. É o segundo responsável máximo pelo sector da saúde a sair em plena pandemia...

Números mundiais

Ao fim da tarde desta quinta-feira registavam-se 4,587,113 casos de infecção (4,487,432 ontem) dos quais 1,735,620 recuperados (1,688,528 ontem). Já 306,119 pessoas morreram devido ao novo coronavírus (300,729 ontem).

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/ às 17h30 de dia 15/05)

Sugestão do dia

A emissora estatal japonesa NHK fez a experiência com o intuito de simular uma refeição num restaurante buffet ou num cruzeiro. A experiência foi gravada e mostra como é fácil vírus e germes se espalharem, mesmo quando apenas uma pessoa está infetada. O vídeo mostra 10 pessoas a chegar ao restaurante. Uma delas está infectada, o que graficamente, é mostrado por tinta florescente, só visível com luz negra. Cada um percorre normalmente o espaço que no final do vídeo é iluminado com a luz especial. A substância usada para representar vírus ou germes pode ser vista na comida, nos utensílios de cozinha, nos pratos e até no rosto de alguns dos participantes. (NHK via SIC)

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Autoria:Sara Almeida,15 mai 2020 18:48

Editado porSara Almeida  em  12 ago 2020 23:21

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