Coronavírus: O dia em revista

PorSara Almeida,29 jul 2020 18:09

Cabo Verde registou hoje a sua 23.ª morte associada à infecção pelo SARS-CoV-2. Registou também, com tem sido tendência há já alguns dias, mais recuperados do que novos infectados. Entretanto, um estudo hoje apresentado mostra que ainda é muito baixa a prevalência do coronavírus na população cabo-verdiana.

Um homem, de 64 anos, faleceu hoje no Hospital Agostinho Neto, na Praia, elevando assim para 23 o número de óbitos relacionados com o novo coronavírus. O paciente, esclareceu o Director Nacional de Saúde, "apresentava outras co-morbilidades associadas".

Já o boletim epidemiológico de hoje acrescenta números: entre 361 amostras processadas foram diagnosticados mais 19 casos positivos de COVID-19 (14 na Praia, quatro em Santa Cruz e um Ribeira Grande de Santiago), mas também 78 recuperados).

Com esta actualização país passa a contabilizar 654 casos activos, 1694 casos recuperados, 23 óbitos e dois transferidos, perfazendo um total de 2373 casos positivos acumulados.

Entretanto, apenas 0,4% da população cabo-verdiana terá tido contacto com o SARS-CoV-2, o que significa a sero-prevalência é baixa, logo o número de pessoas susceptíveis ao novo coronavírus é muito elevado. Este e outros dados foram divulgados hoje na apresentação do inquérito sero-epidemiológico da Infecção por Sars-Cov-2 em Cabo Verde realizado desde finais de Junho pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) em parceria com o INE.

Falando então dos 0,4% expostos ao vírus: Para se ter uma ideia, importam comparações: na comunidade académica da universidade de Lisboa, em Portugal, a taxa de prevalência é de 1,5% (ainda considerada baixíssima). Madrid, uma das zonas mais afectadas de Espanha, tem à volta de 10% de 'imunidade' (ainda baixa...). Em Nova Iorque 22,7% da população apresenta anticorpos, e em Deli, na Índia (onde estranhamente a taxa de mortalidade é de “apenas” 0.094%), a taxa sobe para 23,5. Buenos Aires tem já uma seroprevalência de 50%. E houve estudos de Lodi, Itália, onde vai até aos 60%, ou seja, onde a imunidade de grupo pode ser considerada. 

Seja como for, no geral, a taxa de sero-prevalência ainda é baixa, afastando a miragem da imunidade de grupo a curto prazo (afastando mesmo? veja,abaixo, a sugestão do dia).

Mas do mundo para Cabo Verde (e de cá para lá), outras notícias: A retoma dos voos internacionais voltou a sofrer um adiamento. Depois de, num primeiro momento o 1 de Julho ter sido apontado como a data para reinício das viagens, essa retoma foi protelada para inícios de Agosto. Hoje, o ministro Turismo e Transportes, Carlos Santos, avançou à Lusa que a segunda quinzena de Agosto é o momento previsto para a reabertura das fronteiras. Mudança também nas regras a aplicar. Afinal, "muito provavelmente" será exigida a apresentação de testes antecipados à COVID-19, algo que anteriormente o governo havia descartado. 

Para terminar, mas ainda falando em viagens, já está em vigor desde ontem a obrigatoriedade de, à semelhança do que acontece com Santiago e Sal, quem sai de São Nicolau realizar testes (neste caso, testes rápidos).

COVID-19 no mundo

O SARS-CoV-2 não para de surpreender médicos e cientistas. Depois de serem identificados sintomas estranhos nas crianças, semelhantes aos causados pelo síndroma de Kawasaki, neurologistas do Reino Unido alertam para os impactos no cérebro. Segundo observaram, o coronavírus provoca doenças cerebrais graves em pessoas com sintomas ligeiros de COVID-19. As complicações vão de inflamação cerebral e delírio a danos nos nervos e AVC. Em alguns casos, o problema neurológico foi o primeiro e principal sintoma do paciente. (The Guardian).

A propósito de complicações no cérebro, investigadores divulgaram este mês, o primeiro caso identificado de transmissão da infecção pelo coronavírus de mãe para filho, durante a gravidez. O bebé terá nascido em Março, em Paris, com uma inflamação neurológica, mas entretanto o seu estado de saúde evoluiu para praticamente "normal". A mãe, que teve de receber oxigénio, incluindo no Parto, já está recuperada. (NYT)

E uma questão que não é totalmente consensual tem a ver com o impacto do calor no vírus. A Spectator fala de um novo estudo mediu uma correlação entre a taxa de mortalidade no Reino Unido para a COVID-19 e o tempo mais quente. Descobriu-se que a taxa de mortalidade caiu 15% por cada aumento de temperatura de um único grau.

Números mundiais

Ao fim da tarde desta quarta-feira registavam-se 17,042,873 casos de infecção, dos quais 10,562,854 recuperados. Já 666,285 pessoas morreram devido ao novo coronavírus.

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/ às 18h01 de dia 30/07)

Sugestão do dia

Voltando à seroprevalência, a sugestão de hoje é uma entrevista à professora Sunetra Gupta, epidemiologista teórica da Universidade de Oxford, onde ela defende que no Reino Unido, e apesar dos estudos sobre seroprevalência não o mostrarem, pode já haver imunidade de grupo.

Na entrevista, entre outras coisas, a epidemiologista fala de aspectos que permitem “ver porque é que o nível de seroprevalência pode ser baixo” (como se tem verificado em quase todo o mundo) e também “inferir que o nível de imunidade do rebanho necessário para impedir que a coisa volte a explodir é na realidade muito mais baixo do que os números que estão actualmente a ser atirados de forma bastante incauta podem sugerir”.

Sunetra Gupta sugere, na verdade, que a imunidade de grupo pode ser conseguida com apenas 25% de seroprevalência

“Existe o limiar de imunidade do rebanho, que é o ponto em que um número suficiente de pessoas é imune a um agente patogénico que a taxa de crescimento começará a diminuir. Mas haverá ainda mais casos. Normalmente, numa epidemia, ultrapassamos esse limiar. Assim, se virmos uma área que tem uma seroprevalência com 60%, isso não significa que a imunidade do rebanho não possa ser muito inferior a isso. O que esse limiar define para nós é quantas pessoas na comunidade precisam de ser imunes para que essa coisa não dispare”.

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Autoria:Sara Almeida,29 jul 2020 18:09

Editado porSara Almeida  em  6 ago 2020 20:19

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